O câncer surge quando as células começam a crescer fora de controle, ultrapassando a quantidade de células normais em determinada área, se juntando e formando uma espécie de massa chamada tumor, que pode ser benigno ou maligno. No entanto, no caso do câncer, o tumor é sempre maligno. Todo o nosso organismo é composto por células, por isso, um câncer pode aparecer em qualquer parte do corpo e inclusive se estender para outras regiões.
Sabendo disso, o câncer de mama é um tumor maligno que começa nos tecidos dos seios. Esse tipo de câncer pode afetar tanto homens quanto mulheres, no entanto, ele é mais comum no sexo feminino. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de mama representa sozinho 25% de todos os casos de câncer entre as mulheres ao redor do mundo. Sendo assim, nesse artigo do ONsalus, confira tudo sobre o câncer de mama: seus tipos, causas, sintomas, tratamentos e prevenção.
O que causa o câncer de mama
O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum do mundo, ficando atrás apenas para o câncer de pulmão, e o quinto que mais causa mortes. Por isso, se existem alguns aspectos da nossa vida que podemos mudar para prevenir o câncer de mama, por que não tentar colocá-los em prática?
Já foi confirmado pela comunidade científica que alguns fatores podem estar associados com o surgimento e desenvolvimento da doença, variando de caso em caso. Por isso, confira o que causa o câncer de mama e quais são os fatores de risco do câncer de mama:
- Idade e sexo: já sabemos que as mulheres têm uma maior probabilidade de desenvolver o câncer de mama que os homens, mas essa chance também aumenta com a idade. Mulheres a partir dos 50 anos têm uma possibilidade maior de sofrer da doença.
- Antecedentes familiares: as pessoas que contam com familiares que tiveram câncer de mama no passado têm uma probabilidade maior de desenvolver a patologia.
- Genes defeituosos: se um dos pais passa um gene defeituoso para seus filhos, há uma chance maior destes desenvolverem o câncer de mama. Esse tipo de defeito é mais comum nos genes BRCA 1 e BRCA 2 e, quando uma mulher conta com esse risco, a probabilidade de falecer devido ao câncer aumenta.
- Ciclo menstrual: também existe um risco maior de desenvolver câncer de mama em mulheres que começaram a menstruar antes dos 12 anos e/ou que tiveram a menopausa após os 55 anos de idade.
Outros fatores de risco de câncer de mama podem ser:
- Consumo de bebidas alcoólicas: o consumo diário de álcool, mais de duas bebidas por dia, aumenta os riscos de sofrer desse tipo de câncer. Estudos indicam que há uma relação entre o consumo de álcool e o aumento dos níveis de estrogênio, hormônio que pode estimular o crescimento de células cancerígenas.
- Parto: as mulheres que nunca tiveram filhos e que ficaram grávidas depois dos 30 anos têm mais chance de desenvolver câncer de mama. Isso pode estar relacionado às mudanças hormonais que ocorrem durante a gravidez e a amamentação.
- Terapias hormonais: em casos nos quais os pacientes já contam com antecedentes familiares, terapias hormonais com estrogênios também aumentam as probabilidades de sofrer da doença. Essas terapias podem influenciar no crescimento de tumores que são sensíveis a hormônios.
- Obesidade: essa condição sempre esteve associada ao câncer de mama e a outras doenças mesmo que a ciência ainda não tenha descoberto a relação exata. A hipótese mais aceita atualmente é que mulheres com sobrepeso produzem uma quantidade maior de estrogênios, o que pode estimular o crescimento de tumores.
- Radiação: Aquelas pessoas que já receberam radioterapia têm um risco maior de desenvolver o câncer de mama. Se a radioterapia aconteceu durante a formação das mamas, o risco é ainda maior. Os riscos aumentam dependendo do quão jovem for a pessoa que recebeu a radiação e da dose receitada.
Estudos recentes também sugerem que fatores ambientais, como a exposição a certos produtos químicos, podem desempenhar um papel no risco de desenvolver câncer de mama, embora mais pesquisa seja necessária nessa área.
Sintomas de câncer de mama
A principal razão pela qual se fazem mundialmente campanhas que promovem a prevenção do câncer de mama, como o outubro rosa, é que o câncer de mama na fase inicial não apresenta sintomas e que, por isso, a chave para curar a doença é um diagnóstico precoce. Sendo assim, quanto mais cedo for descoberto o câncer, maiores as chances de sobrevivência do paciente.
À medida que o câncer avança e o tumor cresce, podem aparecer os seguintes sintomas:
- Caroço em uma das mamas ou axilas (tumor mamário) que se sente duro e indolor. É importante que qualquer nódulo ou massa seja avaliado por um profissional de saúde.
- Mudanças no tamanho, formato ou textura dos mamilos ou dos seios, além de vermelhidão, pequenos buracos e cavidades, e aparência da pele de casca de laranja. Essas alterações podem indicar uma inflamação subjacente.
- Líquido no mamilo que pode ser claro, amarelado, esverdeado ou parecido a pus. A presença de secreção pode indicar uma infecção ou outra condição médica.
Já quando o câncer está mais avançado, o paciente pode experienciar:
- Dor óssea. Isso pode indicar que o câncer se espalhou para os ossos.
- Sensibilidade, dor ou desconforto nos seios. Esses sintomas podem ser agravados durante o ciclo menstrual.
- Inflamação dos gânglios linfáticos da axila próxima da mama na qual se encontra o tumor, o que pode gerar dor na axila. O inchaço dos gânglios linfáticos pode ser um sinal de que o corpo está tentando combater a doença.
- Úlceras cutâneas. Essas feridas abertas podem ser difíceis de tratar e são um sinal de doença avançada.
- Perda de peso. A perda de peso inexplicada é um sintoma comum em muitos tipos de câncer, incluindo o de mama.
É crucial que qualquer mulher que note alterações nos seios procure um médico imediatamente. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.
Câncer de mama em homens
O câncer de mama em homens ou câncer de mama masculino é bem mais incomum de acontecer do que em mulheres. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o número de homens com câncer de mama é tão pequeno em relação às mulheres com a doença que ele nem entra nas estimativas do instituto.
No entanto, homens também contam com tecido mamário e, por isso, também estão sujeitos a que as células cancerígenas cresçam descontroladamente criando um tumor.
Os sintomas, fatores de risco e tratamentos são os mesmos de que casos de câncer de mama feminino. Assim como nas mulheres, o diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento eficaz. Homens devem estar atentos a quaisquer mudanças nos seus tecidos mamários, como nódulos ou secreções.
Além disso, cabe destacar que o estigma e a falta de informação podem atrasar o diagnóstico nos homens, tornando essencial a conscientização sobre o tema. A inclusão de homens em campanhas de conscientização pode ajudar a reduzir o estigma e a aumentar a taxa de diagnóstico precoce.
Tipos de câncer de mama
Já explicamos que o câncer de mama é a proliferação de células malignas que se convertem em um tumor cancerígeno. No entanto, existem tipos diferentes de câncer de mama que, em sua maioria, são carcinomas, ou seja, tumores malignos que se desenvolvem a partir de células glandulares ou epiteliais e que invadem tecidos do corpo formando metástases.
- O carcinoma ductal é aquele que ocorre no ducto mamário, que leva o leite presente da mama aos mamilos. A maioria dos cânceres de mama são desse tipo.
- O carcinoma lobular é aquele que ocorre nas glândulas mamárias responsáveis por produzir o leite, os lóbulos.
Essa é a classificação original que serve para definir os tipos de câncer de mama, no entanto, cada um deles pode apresentar também diferentes tipos de tumoração.
Carcinoma ductal in situ
Também conhecido como carcinoma intraductal, esse tipo de câncer de mama é considerado não invasivo, já que mesmo que as células que recobrem o ducto tenham mudado e se tornem cancerígenas, elas não se expandem até o tecido que rodeia a mama e, por isso, não conseguem se propagar e gerar a metástase.
Um em cada 5 diagnósticos de câncer de mama deve-se a um carcinoma ductal in situ e as chances de sobrevivência na maioria dos casos são bem altas.
Carcinoma invasivo
Já o carcinoma invasivo, ou carcinoma ductal invasivo, é o mais comum entre os tipos de câncer de mama. Ocorre em um dos ductos das mamas e o penetra até chegar ao tecido das mesmas, onde se pode propagar à corrente sanguínea ou aos gânglios linfáticos. Cerca de 7 em cada 10 casos diagnosticados são de carcinomas invasivos.
Carcinoma lobular invasivo
Esse tipo de câncer de mama começa nos lóbulos e pode se estender até o tecido mamário. É um câncer difícil de ser detectado em uma mamografia, mas também é um dos mais incomuns; cerca de 1 em cada 10 cânceres de mama diagnosticados é um carcinoma lobular invasivo.
Em alguns outros casos, muito mais raros e incomuns, o câncer de mama pode não ser um carcinoma. Confira os principais tipos:
Câncer de mama inflamatório
É um câncer de mama invasivo, mas pouco comum. O principal sintoma é uma vermelhidão da pele do seio que também pode produzir uma pele com aparência de casca de laranja. Esses sintomas se devem a um bloqueio que as células cancerígenas realizam nos vasos linfáticos da pele. Esse câncer também pode ocasionar coceira, além do crescimento da mama e sensibilidade nela.
Muitos especialistas confundem esse tipo de câncer com uma mastite, inflamação da mama, devido à ausência de uma massa tumoral. No entanto, obter um diagnóstico correto o mais cedo possível é muito importante, já que esse tipo de câncer é um dos que tem maior taxa de propagação. Representa de 1% a 3% dos casos de câncer de mama.
Doença de Paget
Esse tipo de câncer de mama começa nos ductos mamários e se expande até o mamilo, onde continua avançando até a aréola do seio. Ele pode causar vermelhidão, crostas, escamas, sangramentos ou supuração. Representa cerca de 1% dos cânceres de mama em todo o mundo.
Angiosarcoma
Muito raro nas mamas, esse tipo de câncer começa nas células que revestem os vasos linfáticos ou sanguíneos. Por sua raridade, o tratamento desse tipo de câncer é muitas vezes adaptado de protocolos usados em outros tipos de sarcomas.
Tumor Filoides
Muito raro, esse tipo de câncer se desenvolve no tecido conjuntivo da mama, o estroma, ao invés de nos dutos ou lóbulos, como nos carcinomas. Embora a maioria dos tumores filoides sejam benignos, alguns podem se tornar malignos, exigindo tratamento imediato.
Tratamento de câncer de mama
O tratamento do câncer de mama varia de acordo com muitos fatores, como o tipo de câncer, o grau, a sensibilidade da doença aos hormônios ou se as células cancerígenas produzem grandes quantidades da proteína HER2. No entanto, os tratamentos mais comuns de câncer de mama são:
- Quimioterapia: administração de medicamentos intravenosos que destroem as células cancerígenas. Esse tratamento pode ser utilizado antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor ou após, para eliminar células remanescentes.
- Radioterapia: aplicação de radiação na mama para destruir o tecido cancerígeno. É frequentemente usada após a cirurgia para eliminar qualquer célula cancerígena residual.
- Cirurgias: como a lumpectomia ou tumorectomia, para extrair o tumor, ou a mastectomia, que retira a mama afetada e que pode ser parcial ou total. A escolha do tipo de cirurgia depende do tamanho e localização do tumor.
- Terapias hormonais: administração de fármacos que evitam a propagação do tumor e o crescimento do mesmo. É conhecida como a quimioterapia em comprimidos. Esses tratamentos são especialmente eficazes em tumores que são receptores hormonais positivos.
Os tratamentos são locais ou gerais. Os locais podem ser aqueles como a radioterapia ou a cirurgia, que tratam unicamente do tecido mamário do seio com o câncer. Os gerais são aqueles como as terapias hormonais ou a quimioterapia que têm efeito em todo o corpo.
O mais comum para se tratar o câncer de mama é utilizar um tratamento combinado, ou seja, uma alternativa local e uma geral. Dependendo do grau do câncer, o tratamento pode ser:
- Estágio 0: realiza-se uma lumpectomia ou mastectomia mais radiação. Esse tratamento é eficaz para eliminar células cancerígenas localizadas.
- Estágios I e II: realiza-se uma lumpectomia ou mastectomia mais radiação. Também se pode realizar a remoção dos gânglios linfáticos. As terapias hormonais e a quimioterapia são opções preventivas que seriam realizadas após a remoção.
- Estágio III: lumpectomia ou mastectomia mais quimioterapia, terapias hormonais e terapia dirigida. A combinação dessas abordagens ajuda a tratar o câncer de forma eficaz e abrangente.
- Estágio IV (câncer de mama avançado): lumpectomia ou mastectomia mais radiação, quimioterapia, terapias hormonais e terapia dirigida ou uma outra combinação de vários desses tratamentos para o câncer de mama. Neste estágio, o foco é controlar o câncer e prolongar a vida do paciente.
Quando o câncer de mama está nos estágios I, II, e III, o objetivo principal é tratar a doença e impedir que ela volte a aparecer. Já no câncer no estágio IV, o objetivo é diminuir os sintomas da pessoa e aumentar o tempo de vida do paciente o máximo possível. Além disso, a qualidade de vida do paciente é uma preocupação central, e os cuidados paliativos podem ser recomendados.
Prevenção do câncer de mama
Prevenir e impedir que o câncer de mama apareça não é totalmente possível. No entanto, algumas mudanças de hábito relacionadas aos fatores de risco da doença, assim como truques para obter um diagnóstico mais cedo, podem ajudar. Alguns exemplos disso são:
- Realizar o autoexame das mamas mensalmente. Isso pode ajudar a identificar mudanças precoces nos seios.
- Fazer mamografias anualmente após os 35 anos de idade. A detecção precoce por mamografia pode aumentar significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.
- Consultar periodicamente um ginecologista ou outro profissional da área da saúde e realizar todos os exames pedidos, principalmente se há antecedentes familiares com a doença. A orientação médica especializada é crucial para a prevenção.
- Fazer exercícios físicos com frequência. A atividade física regular está associada a uma redução no risco de câncer de mama.
- Manter uma alimentação saudável balanceada. Uma dieta rica em frutas, vegetais e grãos integrais pode contribuir para a saúde geral e a redução do risco de câncer.
- Não fumar e controlar o consumo de álcool. Ambos os hábitos estão associados a um aumento no risco de câncer de mama e outras doenças.
Além dessas medidas, considerações sobre o uso de terapias de reposição hormonal e a escolha de amamentar também podem influenciar no risco de câncer de mama. Amamentar, por exemplo, tem sido associado a uma ligeira redução no risco de câncer de mama.
Este artigo é meramente informativo, no ONsalus.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos médicos nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Convidamos você a recorrer a um médico no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.
Se pretende ler mais artigos parecidos a Câncer de mama: tipos, sintomas e tratamentos, recomendamos que entre na nossa categoria de Sistema reprodutor feminino.
- American Cancer Society. Treatment of Breast Cancer by Stage. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/treatment/treatment-of-breast-cancer-by-stage.html>. Acessado em: 3 de abril de 2019.
- American Cancer Society. Types of Breast Cancer. Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer/understanding-a-breast-cancer-diagnosis/types-of-breast-cancer.html>. Acessado em: 3 de abril de 2019.
- American Cancer Society. What Is Breast Cancer in Men? Disponível em: <https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer-in-men/about/what-is-breast-cancer-in-men.html>. Acessado em: 3 de abril de 2019.
- Instituto Nacional de Câncer (Inca). Conceito e Magnitude do Câncer de Mama. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/conceito-e-magnitude>. Acessado em: 3 de abril de 2019.
- Organização Pan-Americana da Saíde (Onpas). Folha informativa – Câncer. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5588:folha-informativa-cancer&Itemid=1094>. Acessado em: 3 de abril de 2019.