Muitas mulheres sentem uma cólica forte após a relação, sendo que algumas podem até sentir cólica durante o ato. Sofrer qualquer tipo de dor ou desconforto depois do sexo não é normal, na verdade, é um indicativo de que algo não está bem e, portanto, o ideal é que você consulte o seu ginecologista assim que possível.
Qualquer dor ou desconforto relacionado com as relações sexuais é conhecido como dispareunia e, na maioria dos casos, está relacionado com problemas nos órgãos femininos, razão pela qual fazer uma consulta é importante para descartar processos infecciosos, inflamatórios e até a presença de cistos nos ovários. Se você quer conhecer as diferentes condições associadas à dor após a relação, te convidamos a continuar lendo este artigo do ONsalus sobre a cólica após a relação: causas e soluções.
Dor no útero após relação: Lesão durante o ato
Pode acontecer! Em alguns casos, a dor abdominal depois das relações sexuais se deve a um maltrato das paredes da vagina durante a penetração ou a uma penetração muito brusca que afetou sua pélvis. Isso é mais comum em mulheres que apresentam uma leve distensão do saco de Douglas, o espaço entre o útero e o reto. Em geral, quando este é o motivo da cólica após a relação, o sintoma passa após algumas horas e melhora rapidamente com o consumo de analgésicos de venda livre. Um estudo publicado na revista "Obstetrics & Gynecology" sugere que algumas técnicas de relaxamento podem acelerar o alívio dos sintomas.
Para evitar este incômodo, é importante conversar com o parceiro sobre as posições que causam menos impacto abdominal na mulher e, se necessário, assumir o ritmo da penetração para evitar qualquer movimento exageradamente brusco que cause o incômodo depois de finalizado o ato. Se a dor não desaparecer dentro de um dia, é importante que você visite seu médico para descartar uma lesão mais grave.
Dor forte no útero após relação: Vaginismo
As mulheres que sofrem de vaginismo sentem espasmos involuntários nos músculos que cercam a vagina, os quais podem fechar a vagina e impedir a relação sexual. Existem muitas causas que podem desencadear o vaginismo, as mais comuns incluem ter sofrido algum tipo de abuso sexual no passado, uma resposta involuntária devido à dor física e problemas mentais. Na maioria dos casos, a causa é desconhecida.
O sintoma mais característico que sentem as mulheres que sofrem de vaginismo é a dor durante a penetração vaginal ou a dor pélvica durante as mesmas. As mulheres com esta condição devem ser atendidas por uma ginecologista, uma terapeuta emocional e uma sexóloga para atender cada uma das áreas onde pode se focar o problema. É importante praticar os exercícios de Kegel para relaxar o assoalho pélvico e desfrutar das relações sexuais com mais prazer. Um artigo da "American Journal of Obstetrics & Gynecology" destaca a eficácia de terapias comportamentais na redução dos sintomas de vaginismo.
Sentir cólica após relação: Ressecamento vaginal
Através da excitação e da estimulação, a vagina é umedecida naturalmente para facilitar a penetração e o aproveitamento do ato sexual. No entanto, muitas mulheres não lubrificam o suficiente devido a problemas hormonais, menopausa ou ansiedade durante as relações sexuais. Este aspecto pode causar relações sexuais dolorosas e cólica após a relação, que também pode ser acompanhada de ardência nas paredes da vagina. Estudos indicam que a ansiedade pode agravar o ressecamento, intensificando a dor.
A boa notícia é que este problema é muito fácil de ser solucionado, pois basta utilizar um lubrificante antes das relações para evitar que isto aconteça. Além disso, algumas mulheres encontram alívio ao usar hidratantes vaginais regularmente para manter a umidade adequada no dia a dia.
Cólica e corrimento depois da relação: Infecção vaginal
Toda mulher experimentará em sua vida ao menos uma infecção vaginal. Esta condição é causada por fungos ou bactérias e é uma das causas mais comuns da dor abdominal depois das relações sexuais. Entre as infecções que provocam este sintoma, encontramos:
- A candidíase, causada pelo fungo Candida albicans, deve ser tratada com antimicóticos de uso tópico que ajudam a erradicar o fungo da vagina. Entre seus sintomas, ressalta-se o fluxo branco e aquoso similar ao requeijão, ardência e coceira nos lábios vaginais, dor ao urinar, dor ao ter relações sexuais, vermelhidão da vulva. O tratamento pode se estender até 15 dias.
- A vaginose bacteriana é a infecção vaginal mais comum. É facilmente reconhecível devido à presença de corrimento vaginal de cor cinza e com odor similar a peixe, coceira dentro e fora da vagina, dor ao urinar e dor pélvica que piora após a relação sexual. O médico receitará medicamentos antibióticos orais e tópicos para tratar esta condição e recomenda-se não ter relações sexuais até que a infecção tenha sido controlada.
É crucial seguir o tratamento corretamente e comunicar qualquer reação adversa ao seu médico para ajustes necessários. Além disso, manter uma boa higiene e usar roupas íntimas de algodão pode ajudar a prevenir infecções futuras.
Dor no útero depois da relação: Cervicite
A cervicite é uma infecção causada por bactérias, vírus, parasitas e fungos que acomete o útero e que, depois das relações sexuais, costuma causar dor intensa na região pélvica. A dor da cervicite pode ser muito mais intensa se o motivo da infecção é o vírus da herpes simples. Em geral, esta condição se manifesta através dos seguintes sintomas:
- Cólica e sangramento após relação ou entre menstruações.
- Fluxo vaginal que não desaparece e pode ser de cor branca, cinza ou amarela.
- Dor vaginal.
- Relações sexuais dolorosas.
- Dor, pressão ou sensação de peso na pélvis.
Os medicamentos antibióticos serão o tratamento adequado para tratar a cervicite causada por infecções como a clamídia ou a gonorreia. Os medicamentos antivirais serão necessários para tratar esta doença quando é causada por algum vírus ou herpes. Se a condição não melhorar, pode ser necessário realizar algum tipo de intervenção mais avançada como a criocirurgia ou a terapia com laser. A adoção de hábitos saudáveis, como uma dieta equilibrada, pode auxiliar na recuperação.
Dor no pé da barriga após relação: Endometriose
O endométrio é o tecido que cobre o útero. A endometriose ocorre quando o tecido endometrial se encontra fora do útero em grande quantidade, podendo afetar qualquer órgão do corpo, mas mais comumente as trompas de Falópio, os ovários e o colo do útero. As mulheres que sofrem de endometriose sentem uma dor abdominal bastante intensa durante a menstruação, a qual pode inclusive chegar a incapacitar a mulher, fazendo com que ela precise de repouso.
A dor da endometriose também surge durante e depois das relações sexuais prolongadas e com uma penetração profunda. O tratamento para esta condição depende da idade da mulher, da gravidade da doença e se a pessoa deseja, ou não, ter filhos. Em geral, são receitados analgésicos para acalmar a dor, terapia hormonal para evitar que a endometriose piore, cirurgia para remover o tecido dos órgãos e técnicas de relaxamento para suportar os sintomas. Uma revisão publicada na "Journal of Endometriosis" ressalta a eficácia de tratamentos combinados para a melhora dos sintomas.
Cólica após relação: outras causas
- Algumas mulheres têm o útero inclinado para trás, o que se conhece como retroversão uterina. Isto pode fazer com que o útero receba impactos durante o coito e que haja dor pélvica depois do ato sexual.
- Mulheres com ovários policísticos também podem sentir cólica após a relação devido ao fato de que algum destes cistos podem ser afetados ou lesionados durante a penetração.
- As mulheres com doença inflamatória pélvica também sentem cólica forte após a relação.
- Alergia ao látex da camisinha.
- Ter relações sexuais tendo cistite.
- Incompatibilidade da forma e tamanho do pênis com a forma e tamanho da vagina.
Além dos fatores mencionados, é importante considerar que condições psicológicas, como o estresse e a ansiedade, podem contribuir para o aumento da sensibilidade à dor, agravando os sintomas pós-coito.
Este artigo é meramente informativo, no ONsalus.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos médicos nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Convidamos você a recorrer a um médico no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.
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- "Dor pélvica" por David H. Barad, MD, MS, Director of Assisted Reproductive Technology, Center for Human Reproduction. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/sintomas-de-dist%C3%BArbios-ginecol%C3%B3gicos/dor-p%C3%A9lvica#v4722217_pt
- "Dispareunia" por Rosemary Basson, MD, Clinical Professor, Department of Psychiatry, University of British Columbia and Vancouver Hospital; Director, UBC Sexual Medicine Program. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/disfun%C3%A7%C3%A3o-sexual-em-mulheres/dispareunia