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Diazepam e álcool: interação medicamentosa

 
Por Dr. Francisco Zapata, Médico Puericultor, Pediatra e Redator. 5 agosto 2019
Diazepam e álcool: interação medicamentosa

Para responder esta pergunta, primeiro você deve saber como age individualmente cada um deles no seu corpo. É importante se lembrar que todas as substâncias e alimentos que ingere vão ser metabolizados no seu organismo por uma ou outra via. Na maioria dos casos, o produto desse metabolismo vai ser o elemento ativo, isto é, é o composto que vai realizar a ação que você procura. Em outros, o resultado desse metabolismo será somente um material de descarte que será eliminado (em geral, na urina).

Boa parte do metabolismo ocorre no fígado. Quando você ingere diferentes substâncias que deverão ser metabolizadas neste, sobrecarrega o seu fígado de trabalho e também faz com que haja uma "competição" entre estas substâncias para serem processadas com prioridade, o que também causa problemas.

Depois desta breve análise, neste artigo do ONsalus vamos explicar tudo sobre diazepam e álcool: interação medicamentosa.

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Diazepam: para que serve e efeitos

O diazepam faz parte do grande grupo das drogas psicolépticas (que agem no sistema nervoso central), e dentro destas faz parte dos ansiolíticos, grupo de medicamentos utilizados para combater a ansiedade. Aqui encontramos a família das benzodiazepinas, onde pertence o diazepam.

Mecanismo de ação

Age facilitando a união do Ácido Gama-Aminobutírico (GABA) a seu receptor na célula nervosa e aumento sua atividade. O GABA é um neurotransmissor que encontramos em várias partes do nosso cérebro, predominantemente no córtex, o sistema límbico, o tálamo e o hipotálamo. Sua principal função é causar a inibição de algumas funções.

Assim, o diazepam agiria nestes níveis. Por isso é considerado um depressor do sistema nervoso central (SNC).

Seu principal uso médico seria como ansiolítico, embora também seja utilizado como hipnótico (indutor de sono), anticonvulsivo, sedativo, relaxante muscular e amnésico. Todos estes efeitos diferentes dependem da dose.

Metabolismo

Uma vez ingerido por via oral vai estar disponível 99% da dose consumida e começa sua ação por volta dos 30 minutos.

Seu metabolismo é hepático. Uma vez que tomado o diazepam, o fígado vai decompondo o medicamento em três metabólitos que são ativos: desmetildiazepam, oxazepam e temazepam. Sua ação vai durar por volta de 3 horas, embora sua eliminação pela urina possa demorar de 20 a 50 horas.

Efeitos do álcool no corpo

O álcool é uma substância considerada como psicoativa, isto é, age no sistema nervoso central (SNC).

Mecanismo de ação

Sua principal ação é sobre o GABA, por isso que também é considerado um depressor do SNC.

Somado a este efeito depressor, interage sobre outros neurotransmissores: dopamina, norepinefrina e serotonina, por isso que gera uma atividade de descoordenação generalizada no cérebro que provoca a reação inicial de aparente estimulação.

Tem efeito aditivo porque causa tolerância (é necessária cada vez mais uma dose para conseguir o mesmo efeito), e dependência.

Além disso, ao agir de forma direta sobre as diferentes células do organismo, causa desidratação das mesmas. O líquido intracelular livre seria eliminado por via urinária, o que causa aumento da diurese.

Consumido de forma crônica, tem efeito prejudicial direto sobre determinados órgãos: rim, fígado, cérebro, pâncreas, estômago e coração, causando diversos graus de dano que são acumulativos e irreversíveis.

Metabolismo

Seu metabolismo também é hepático, existindo três vias enzimáticas possíveis para sua ação. A mais comum é a chamada álcool desidrogenase.

Uma vez ingerido, sua disponibilidade no sangue é de 99% depois de 10 minutos. Sua eliminação é por via pulmonar (com a respiração), por via enteral e em menor proporção pela urina, durando sua ação de 2 a 4 horas e sua eliminação total de 14 a 28 horas.

Diazepam e álcool: interação medicamentosa - Efeitos do álcool no corpo

Diazepam e álcool: interação

Se já leu tudo o que foi descrito anteriormente, a resposta deveria ser óbvia, NÃO se pode misturar diazepam e álcool, ambas as drogas são fortes depressoras do SNC e exercem ação sinérgica, isto é, potencializam mutuamente suas ações.

Desta forma, os riscos de tomar diazepam e álcool ao mesmo tempo incluem (de forma progressiva e dependendo da dose):

  • Sonolência (de leve a profunda).
  • Diversos graus de perda do equilíbrio.
  • Alteração da coordenação motora (desde a simples alteração até o deterioramento completo).
  • Diminuição da frequência cardíaca.
  • Diversos graus de dificuldade respiratória (podendo chegar a causar uma parada respiratória).
  • Diversos graus de alteração do nível de consciência.
  • Coma.
  • Morte.

Este artigo é meramente informativo, no ONsalus.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos médicos nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Convidamos você a recorrer a um médico no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Bibliografia
  • Medina Caballero, G. (2006). Efectos del alcohol etílico sobre la actividad específica de aminopeptidasas reguladoras de neuropéptidos en neuronas y astroglía en cultivo. Tesis de grado no publicada, Departamento de Ciencias de la Salud, Universidad de Jaén, Andalucía.
  • Téllez Mosquera, J., y Cote Menéndez, M. Alcohol etílico: Un tóxico de alto riesgo para la salud humana socialmente aceptado. Rev Fac Med Univ Nac Colomb 2006;54(1):32-47.

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