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Dor no joelho em repouso: causas e tratamento

 
Por Dra. Gennesis Gonzalez, Médica Cirurgiã. 29 julho 2019
Dor no joelho em repouso: causas e tratamento

Você sente dor no joelho mesmo em repouso? Você deve saber que é habitual que a dor no joelho se manifeste apenas no horário noturno, uma vez que esse é o momento em que o corpo tem mais descanso e repouso, já que todas as articulações trabalham durante o dia.

É essencial em qualquer momento contar com um bom diagnóstico e um tratamento médico farmacológico correspondente à causa a tratar de acordo com os sintomas e com as necessidades pessoais do paciente.

As razões pelas quais uma pessoa sente dor no joelho mesmo em repouso podem ir desde a osteoartrite até gota, e outras menos frequentes como a torção dos tendões. Se você quer saber mais sobre este tema, continue lendo este artigo do ONsalus sobre dor de joelho em repouso: causas e tratamento.

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Dor de joelho em repouso por osteoartrite

A osteoartrite é considera um motivo de consulta habitual no que diz respeito a dor na articulação do joelho, representa além disso uma causa frequente de dor de joelho em repouso. É comum em pessoas de meia idade, já que é provocada pela degeneração do tecido ósseo.

Também é conhecida como artrose por uso e desgaste, na verdade, é uma doença progressiva mas lenta e que piora com o tempo. Ainda assim, é acredita como a doença degenerativa mais comum do joelho.

O joelho conta com um tecido mole chamado cartilagem articular que permite que atie como amortiguador e protetor dos ossos que compõem esta grande articulação, o que permite que se flexione de forma saudável e que volte a esticar-se sem qualquer problema. Quando apessoa tem osteoartrite, significa que a cartilagem amortiguadora e protetora se desgastou. Esta é a causa pela qual a artrose por desgaste se produz com o passar do tempo e a cartilagem, além de desgastar-se, fica áspera e se deteriora.

Os sintomas característicos dessa doença giram à volta da rigidez e da dor acutilante, sinais que piorar na manhã e após muito tempo em repouso. Outros sintomas são:

  • Dor ao tocar o joelho.
  • Perda de flexibilidade.
  • Quando cessa o repouso, pode existir sensação de chiado.

Fatores de risco da osteoartrite

  • Idade: logicamente, quanto mais idade, mais possibilidade existe de apresentar desgaste da cartilagem articular.
  • Hereditariedade: existem indícios de que a genética, ou seja, familiares direitos com osteoartrite, aumentam o risco de apresentar a doença. Existem ainda doenças hereditárias que condicionam o aparecimento de osteoartrite, como ter as pernas arqueadas.
  • Sexo: está relacionado com o aumento de probabilidade que as mulheres têm se sofrer de osteoartrite em relação aos homens.
  • Obesidade: é um fator de risco relevante de sofrer osteoartrite devido ao peso corporal adicional que a articulação sofre.
  • Trabalho: igualmente, algum tipo de trabalho que implique maior pressão nas articulações é um fator de risco, como pessoas que passam muito tempo de pé, por exemplo.
  • Desportistas: os atletas e desportistas também possuem um risco extra de sofrer de osteoartrite, devido ao uso excessivo das articulações e, logo, da cartilagem.
  • Outras doenças subjacentes: sofrer de doenças como gota ou doença de Lyme condiciona o padecimento de osteoartrite.
Dor no joelho em repouso: causas e tratamento - Dor de joelho em repouso por osteoartrite

Dor no joelho em repouso por osteoartrite: tratamento

Uma vez realizado o diagnóstico através da avaliação médica em conjunto com alguns exames como radiografias e ressonância magnética, o médico considerará diferentes opções de tratamento:

  • Estilo de vida: modificar o estilo de vida do paciente é indispensável, sobretudo para minimizar os riscos de que a condição piore.
  • Realizar exercícios de baixo impacto como nadar, caminhar e andar de bicicleta.
  • Perder peso é razoável quando um dos fatores de risco é a obesidade, isso diminui a tensão sobre os joelhos.
  • Pode indicar igualmente exercícios para fortalecer os músculos da perna.

Se a dor não cessa depois da modificação do estilo de vida, o médico pode indicar:

  • Anti-inflamatórios não esteroides ou AINES como a aspirina e o ibuprofeno, para poder acalmar a dor e diminuir o inchaço.
  • Acetaminofen: também útil para a dor leve e com menos efeitos secundários que os AINES.
  • Injeções de esteroides são potentes como anti-inflamatórios, podendo ser aplicadas diretamente no joelho (exclusivamente por um profissional de saúde).

Se a dor piora ou é incapacitante, o médico pode sugerir a cirurgia em último caso:

  • Artroscopia: procedimento que permite alisar a cartilagem desgastada, o que será útil quando a osteoartrite não é muito avançada.
  • Substituir a articulação: total ou parcial onde a articulação é substituída por uma prótese articular.

Dor no joelho em repouso por osteonecrose

A osteonecrose significa, medicamente, morte do tecido ósseo. É uma doença frequente que se manifesta com dor no joelho em repouso, sobretudo durante a noite, podendo irradiar para as pernas.

É uma forma de artrite que se desenvolve como resultado do défice de circulação sanguínea em algum lugar específico do osso.

Embora a osteonecrose ou necrose vascular seja uma doença degenerativa do esqueleto humano, cujo lugar ideal de afetação é a cabeça do fémur, o seu segundo lugar favorito é o joelho. Atualmente, se descrevem 2 tipos:

  • Osteonecrose espontânea ou primária.
  • Osteonecrose secundária.

10% dos pacientes com osteonecrose espontânea referem a existência de um antecedente traumático prévio, assim indica um artigo de revisão sobre a Osteonecrose espontânea do joelho, Barcelona-Espanha[1].

Costuma ser mais frequente em mulheres que em homens e a sua causa não foi descrita com exatidão, estando ainda assim associada a alguns fatores de risco como:

  1. Traumatismos ou lesões tipo fraturas.
  2. Deslocamento de ossos.
  3. Vasos sanguíneos tampados por gordura.
  4. Anemia drepanocítica.
  5. Uso de corticoides.
  6. Alcoolismo e tabaco.
  7. Pacientes que sofrem de lupus eritematoso sistêmico.
  8. Pacientes com trasplante renal.

A osteonecrose não traumática é mais frequente em homens, é bilateral em mais de 60% dos casos e surge entre os 30 e os 50 anos de idade, de acordo com o Manual de Merck[2].

Os sintomas habituais da osteonecrose são:

  • No começo, a dor manifesta-te durante as atividades mas, em etapas posteriores, a dor no joelho pode manifestar-se mesmo estando em repouso ou descansando.
  • Limitação do movimento que não costuma apresentar-se em etapas iniciais da osteonecrose, mas sim quando a dor chega a ser incapacitante.

Para identificar esta doença a tempo, o reconhecimento dos sintomas é útil, assim como a avaliação médica especializada e até a realização de uma ressonância magnética.

Dor no joelho em repouso por osteonecrose: tratamento

Uma vez identificada a doença, o tratamento será orientado para:

  • Aliviar a dor em primeiro lugar, para o qual se indicam AINES ou acetaminofen, aplicar calor local, duchas de água quente também são úteis.
  • Diminuir o tempo em pé ou caminhando.
  • Pode ser útil o uso de uma bengala para aliviar o peso sobre o joelho afetado.
  • Exercícios na água permitem fortalecer os músculos próximos.
  • A artroscopia não será útil nesse caso, já que não modificaria o curso da doença.
  • A ideia é evitar que o osso morra, pelo que pode ser necessária a realização de uma cirurgia para obter a descompressão que permite que o sangue circule.

Dor no joelho em repouso por gota

A gota é outra doença que produz dor no joelho mesmo em repouso, o que não é mais do que uma acumulação de cristais de ácido úrico na articulação do joelho e outras articulações corporais, provocando inflamação dolorosa intensa e intermitente.

É considerada como um tipo de artrite e a sua causa principal é a presença de concentrações elevadas de ácido úrico no sangue. Medicamente, isto é chamado de hiperuricemia.

A característica habitual da gota é que a dor aparece de forma súbita em horas noturnas, ou seja, justamente durante o repouso. Embora inicialmente se costume manifestar no dedo gordo do pé, também pode afetar outras articulações como os tornozelos e os joelhos.

O ácido úrico provém da dieta que contém uma alta quantidade de purinas, um composto orgânico que se encontra em alimentos como os pescados azuis (atum e sardinha), mariscos e vísceras animais e, em menor proporção, também se encontra nas carnes e leguminosas.

A gota se caracteriza pela articulação avermelhada e quente, aparecendo também movimento da articulação. Em conjunto, estes sintomas são conhecidos como ataque de gota, o que costuma se manifestar durante a noite.

Os ataques de gota podem incluir outros sintomas como:

  • Temperatura superior a 38,5 ºC.
  • Aumento da frequência cardíaca ou taquicardia.
  • Desconforto geral.

Existem alguns fatores de risco para sofrer de gota:

  1. Dieta rica em mariscos, cernes e bebidas alcoólicas como a cerveja.
  2. Maior produção de ácido úrico e, por esse motivo, maior dificuldade para que os rins o eliminem.
  3. Sofrer de doenças como diabetes mellitus, doenças renais, síndrome metabólico e hipertensão arterial não controlada, condiciona o aparecimento de gota.
  4. O consumo de alguns medicamentos que, como efeito secundário, tendem a aumentar os níveis de ácido úrico. Isso ocorre nos casos da aspirina e dos diuréticos tiazídicos.
  5. Além disso, existe uma maior probabilidade de sofrer de gota se existe algum membro da família que também sofre.
  6. A gota costuma ser mais frequente em homens com idades entre os 30 e 50 anos de idade.
Dor no joelho em repouso: causas e tratamento - Dor no joelho em repouso por gota

Dor no joelho em repouso por gota: tratamento

Antes de conhecer o tratamento ideal para a gota, é necessário ter em conta que o médico é o especialista indicado para diagnosticá-la e que, na maioria dos casos, precisará de:

  • Exame direto microscópico do líquido sinovial da articulação do joelho.
  • Raios X da articulação afetada.
  • Avaliação dos sintomas característicos.

Por outro lado, o médico deve indicar medicamentos que permitem melhorar a inflamação e a dor da articulação sem esquecer o repouso, a imobilização da articulação afetada, as mudanças na dieta, a perda de peso e a aplicação de gelo local para melhorar os sintomas do ataque de gota mencionados.

O tratamento médico está orientado para:

  1. Aliviar a crise de inflamação, sobretudo, com o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINES) desde o início do ataque de gota até vários dias depois do mesmo, tal como o especialista indicar. os corticoides (prednisona) também são úteis em casos de crises agudas de gota.
  2. Prevenir ataques posteriores de gota: esta medida inclui baixar de peso, evitar bebidas alcoólicas, suspender o uso de fármacos que tenham o aumento do ácido úrico no sangue como efeito secundário, cumprir uma dieta baixa em purinas.
  3. Por último, é eficaz diminuir os níveis de ácido úrico no sangue (<6mg/dl) para evitar que se formem novamente os cristais desse ácido nas articulações. Para isso, será útil um tratamento com alopurinol, o medicamento de eleição para a gota, já que ao inibir a xantina oxidasa, se diminui consideravelmente a concentração de ácido úrico no sangue.

Outros medicamentos disponíveis para tratar a gota são:

  • Febuxostat, usado quando o alopurinol está contraindicado.
  • Uricasa, utilizado em último caso devido às reações alérgicas que podem surgir pelo seu uso.
  • Probenecid e sulfinpirazona são medicamentos que permitem excretar o ácido úrico através da urina.

Dor no joelho em repouso: outras causas

Finalmente, existem outras causas pelas quais pode surgir dor no joelho mesmo em repouso:

  • Síndrome da dor anterior do joelho: também conhecida como síndrome patelofemoral dolorosa, se caracteriza por estar associada a outras lesões devido ao sobreuso da articulação do joelho. A dor anterior do joelho tende a ser aguda e pode afetar ambos joelhos em simultâneo, piorando especialmente quando se permanece sentado por muito tempo. A dor anterior do joelho costuma ser tratada com analgésicos, aplicação de compressas frias e repouso. também pode ser indicada fisioterapia, dependendo se existem outras lesões associadas.
  • Torção dos tendões: a dor que se apresenta no joelho também pode estar relacionada com a torção de ligamentos ou tendões, embora esta lesão costume ocorrer durante a prática esportiva. A dor pode manifestar-se mesmo estando em repouso, também pode surgir inflamação do joelho. Esta lesão costuma ser tratada cirurgicamente depois da reconstrução do ligamento.
  • Bursite no joelho: é outra causa que costuma manifestar-se com dor no joelho em repouso e imobilizado. Esta condição é a inflamação de um saco de conteúdo líquido chamado bursa e que se encontra perto da articulação do joelho. Habitualmente, a pessoa que sofre de bursite tem mobilidade condicionada pela dor intensa. A bursite no joelho costuma ser tratada com medicamentos que permitem melhorar os sintomas como os AINES e os corticoesteroides, podendo inclusive ser remitida ao fisioterapeuta caso seja necessário.
  • Por último, a artrite reumatoide também pode ser causa da dor no joelho em repouso. Esta é uma doença crónica que afeta as articulações, especialmente os joelhos, apresentando clinicamente inflamação, dor intensa, limitação da mobilidade da articulação e, em alguns casos raros, febre e fraqueza geral. Normalmente, a dor tende a acordar a pessoa durante o sono.

Independentemente da origem, a melhor forma de determinar as causas da dor no joelho em repouso são a avaliação do traumatologista, que indicará os exames necessários e indicará o diagnóstico e tratamento eficaz.

Dor no joelho em repouso: causas e tratamento - Dor no joelho em repouso: outras causas

Este artigo é meramente informativo, no ONsalus.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos médicos nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Convidamos você a recorrer a um médico no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Referências
  1. Hospital de la Santa Creu i Sant Pau Barcelona. Osteonecrosis espontánea de la rodilla, 2009. Arthros. Disponível em: https://www.angelini.es/wp-content/uploads/Arthros-2009_2_sin-publi-cub.pdf
  2. Marvin E. Steinberg , MD, Perelman School of Medicine at the University of Pennsylvania. Osteonecrosis (ON), 2017.

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