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Qual a diferença entre úlcera gástrica e duodenal?

 
Por Redação ONSalus. Atualizado: 16 agosto 2021
Qual a diferença entre úlcera gástrica e duodenal?

As úlceras são um problema relativamente frequente que afetam pessoas de todas as idades. Tratam-se de lesões de diferentes tamanhos e formato circular ou ovalado que podem surgir em diferentes pontos do sistema digestivo, como resultado de uma erosão causada na mucosa pela ação dos ácidos estomacais. Embora seja costume se falar genericamente de uma úlcera gastroduodenal ou péptica, a verdade é que é possível fazer uma distinção entre elas de acordo com sua localização.

No seguinte artigo do ONsalus, mostramos qual a diferença entre úlcera gástrica e duodenal. Boa leitura.

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O sistema digestivo

O primeiro passo para entender a diferença entre uma úlcera gástrica e uma duodenal é conhecer, basicamente, o sistema digestivo. Então, o caminho feito pelo alimentos começa na boca, passa pela faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e finaliza no ânus. A primeira porção do intestino delgado também recebe o nome de duodeno. Por isso, as úlceras que são formadas neste lugar são chamadas de duodenais. São as mais frequentes e o normal é que apareçam nos primeiros centímetros. Além disso, costumam ser benignas e pequenas.

Aquelas que estão localizadas no estômago são chamadas de úlceras gástricas ou estomacais. São menos comuns e normalmente estão localizadas na menor curvatura do estômago. Podem ser malignas.

Causas das úlceras gástricas e duodenais

Existem várias causas que podem estar por trás do aparecimento de uma úlcera no sistema digestivo. As mais comuns são:

  • Infecções devido à bactéria Helicobacter pylori.
  • Consumo de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINE).
  • Estresse. Nos referimos ao provocado por intervenções cirúrgicas, traumatismos, sepse, etc.

Quando a origem é o estresse ou medicamentos, as úlceras podem aparecer tanto no estômago quanto no duodeno. O mesmo acontece se forem causadas pela Helicobacter pylori, embora, nestes casos, é mais provável que a úlcera apareça no duodeno.

Outra causa menos comum da úlcera é o tumor conhecido como gastrinoma, que se caracteriza por secretar gastrina. A gastrina é um hormônio encarregado por estimular a secreção de ácido clorídrico. Estes tumores também podem fazer parte da chamada síndrome de Zollinger-Ellison. Uma porcentagem alta de gastrinomas está relacionada com o aparecimento de uma úlcera duodenal.

Quais pessoas sofrem de úlcera gástrica ou duodenal?

As úlceras gástricas são diagnosticadas mais frequentemente em pessoas de ambos os sexos e de meia idade, por volta dos 50 anos. As duodenais, por sua vez, podem aparecer em pessoas um pouco mais jovens, com uma média de 40 anos, e são consideradas um pouco mais frequentes em homens.

Diferença clínica entre úlcera gástrica e duodenal

Em alguns casos, os sintomas que a pessoa afetada apresenta podem dar informações sobre a localização da úlcera. Assim, embora estas úlceras geralmente se caracterizem por causar dor leve ou moderada na região abdominal, é possível diferenciar as gástricas das duodenais pelos seguintes sinais clínicos:

Sintomas das úlceras gástricas

A dor que este tipo de úlcera provoca não segue nenhum padrão, ao ponto de algumas pessoas dizerem sentir incômodos após comer, enquanto que outras, pelo contrário, sentem alívio ao ingerir alimentos. Além disso, quando a úlcera afeta a região de conexão com o intestino delgado, estes tecidos podem ficar com edemas, dificultando a saída do alimento do estômago até o intestino e causando outros sinais clínicos como náuseas, vômitos ou a distensão após a ingestão de alimentos.

Sintomas das úlceras duodenais

Neste caso, é mais comum que a dor apareça até metade da manhã, dentro do período de tempo entre meia hora até três horas após ao consumo de alimentos. A dor pode ser aliviada com medicamentos ou com alimentos, já que o ácido do estômago é neutralizado, ao menos temporariamente, uma vez que este voltará a se manifestar em questão de horas ao longo do dia, também tendo como característica se manifestar durante a noite.

Este quadro clínico pode se manter durante várias semanas, desaparecer por um tempo e voltar. O reaparecimento deste tipo de úlcera é bastante comum.

De todas as formas, existem úlceras tanto gástricas quanto duodenais que não aparecem com estes sintomas ou úlceras gástricas que se manifestam como duodenais. Também existem pacientes que dizem ter diferentes sintomas, em alguns é detectada a úlcera porque sofrem uma complicação diretamente, enquanto que outros são completamente assintomáticos.

Complicações das úlceras gástricas e duodenais

Uma complicação que pode acontecer em pessoas que sofrem de uma úlcera no sistema digestivo é a perfuração, que ocorre quando a lesão consegue atravessar a parede muscular, criando uma abertura até a cavidade peritoneal. As perfurações costumam ser complicações produzidas nas úlceras duodenais, sendo menos frequentes nas gástricas.

Por outro lado, as hemorragias também são mais associadas a úlceras duodenais, assim como a penetração da úlcera em outros órgãos ou a estenose pilórica, derivada das úlceras duodenais.

Diagnóstico diferencial das úlceras gástricas e duodenais

O primeiro passo diante do aparecimento de sintomas como os descritos acima é descartar a presença de um câncer gástrico. Depois, é confirmada ou não a existência da úlcera e, se esta for diagnosticada, é preciso determinar se, além disso, há uma infecção por Helicobacter pylori.

Os avanços na medicina permitem um diagnóstico muito confiável, especialmente graças a endoscopia, na qual também é possível colocar amostras. A principal diferença entre a úlcera gástrica e duodenal está no fato de que, nas duodenais, por estarem localizadas em uma região onde não é comum ter o desenvolvimento de tumores malignos, em geral não é necessário fazer uma biópsia, a qual é imprescindível nas úlceras gástricas para descartar ou não um câncer.

Diferenças no tratamento das úlceras gástricas e duodenais

Neste aspecto, também é possível estabelecer uma diferença entre úlcera gástrica e duodenal, já que, quando se recorre a medicamentos bloqueadores dos receptores H2, a cicatrização costuma ser um pouco mais rápida nas úlceras duodenais em relação às gástricas. O mesmo acontece quando são utilizados inibidores da bomba de prótons.

Em geral, de acordo com a causa da ulceração, suas características e a evolução do paciente, o tratamento pode ser diferente se a úlcera for gástrica ou duodenal. Em relação à recuperação e o acompanhamento, o teste respiratório serve para controlar a resposta ao tratamento nas úlceras duodenais relacionadas com Helicobacter pylori. As gástricas, por sua vez, requerem um acompanhamento endoscópico.

Agora que você já sabe qual a diferença entre úlcera gástrica e duodenal, recomendamos a leitura deste outro artigo sobre uma dúvida bastante comum: tomar Omeprazol todos os dias faz mal?

Este artigo é meramente informativo, no ONsalus.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos médicos nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Convidamos você a recorrer a um médico no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Bibliografia
  • Truyols, Martínez y García. Úlcera gástrica y duodenal. Consellería de Sanitat de la Generalitat Valenciana.
  • Vakil, Nimish. (2020). Úlcera gastroduodenal. Manual MSD

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