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Proctalgia fugaz: causas, diagnóstico e tratamento

 
Por Dr. Francisco Zapata, Médico Puericultor, Pediatra e Redator. Atualizado: 26 março 2019
Proctalgia fugaz: causas, diagnóstico e tratamento

A proctalgia fugaz é um dos três transtornos que fazem parte da chamada "dor anorretal funcional". Caracteriza-se por ser uma dor, como seu nome indica, passageira, de muito curta duração, do tipo pulsante, espasmódica e de muita intensidade, sendo que algumas pessoas até a descrevem como "intensíssima"[1].

É mais frequente que ocorra durante a noite e que acorde a pessoa. Além disso, é próprio da proctalgia fugaz que, após o episódio de dor, a pessoa fique completamente assintomática (embora exausta) e sem nenhuma alteração no exame físico[1].

Os especialistas estimam que ocorra em até 14% da população saudável[2]. Provavelmente, em algum momento da sua vida, já sentiu esta dolorosa pontada em sua região perineal, que te deixa sem ar por um breve momento e até agora você não sabia que este era seu nome. Neste artigo do ONsalus, explicamos as causas, o diagnóstico e o tratamento da proctalgia fugaz.

Proctalgia fugaz: causas

Não existe uma teoria conclusiva que apoie e explique com clareza as causas da proctalgia fugaz. Várias teorias têm sido postuladas para tentar explicar sua origem: nevralgia, neurose, infecção, alergia, vasoespasmo, estase venosa, fatores mecânicos, entre outros. Nenhuma delas pode ser apontada como a causa com certidão.

O que mais dificultou seu estudo é o pouco tempo de duração da crise de dor, além do fato de que, após a sua ocorrência, não exista nenhum sintoma e nenhum achado físico que permita explicar o acontecido. Os estudos clínicos com manometria anorretal e ultrassonografia endo anal mostram resultados similares aos de controles saudáveis que nunca sofreram esta dor.

Alguns pesquisadores atribuem a proctalgia fugaz a diferentes causas:

  • Espasmo do retossigmoide (a última parte do intestino grosso, que acaba no ânus).
  • Espasmo do músculo pubiococcígeo (um dos elevadores do ânus).
  • Aumento das pressões do canal anal.
  • Aumento na frequência de ondas lentas no canal anal.
  • A prisão de ventre (constipação) e o esforço feito ao evacuar.
  • As relações sexuais.
  • A menstruação (o que não explicaria o quadro nos homens).
  • O estresse.

Confirma-se mais uma vez, com a proctalgia fugaz, o ditado médico que diz: "quando existem várias teorias sobre a etiologia de uma condição, a realidade é que esta não está definida".

Diagnóstico da proctalgia fugaz

Devido ao fato dos sintomas da proctalgia fugaz variarem de uma pessoa para outra e serem similares aos que se apresentam em outras condições médicas, deve-se descartar as condições parecidas antes de fazer um diagnóstico definitivo.

O diagnóstico leva a um exame médico completo, inclusive da região genital. É provável que o médico solicite um exame de sangue e uma endoscopia (colonoscopia) para observar o revestimento do intestino.

Deverão ser descartadas outras possíveis causas, o que os médicos chamam de "diagnóstico diferencial", com:

  • Fissura anal, que consiste em um pequeno rasgo no revestimento do canal anal.
  • Abscesso anal, que ocorre quando se forma um acúmulo de pus localizado próximo do ânus ou reto.
  • Infecção micótica ou doenças sexualmente transmissíveis.
  • Constipação crônica.
  • Diarreia.
  • Colite ulcerosa, que é um tipo de doença inflamatória intestinal.
  • Impactação fecal, que ocorre quando acumula-se uma massa de fezes endurecidas no reto devido à prisão de ventre crônica.
  • Hemorroida externa trombosada, que é gerada quando se forma um coágulo de sangue em uma hemorroida externa na pele do ânus, podendo causar dor ao caminhar, sentar ou ao defecar.

Estudadas todas as possíveis causas anteriores, o diagnóstico da proctalgia fugaz é confirmado por descarte, também excluindo os outros dois componentes da "dor anorretal funcional": a coccigodinia e a síndrome do elevador do ânus.

Tratamento da proctalgia fugaz

Assim como não se conhece a causa nem momento do seu surgimento e duração da dor, também não existe um tratamento médico específico, sobretudo, pelo fato do tempo de duração da dor.

O que existem são recomendações para prevenir o aparecimento da dor pulsante no ânus. Neste sentido, indica-se:

  • Pó vegetal natural ou Psyllium. Um produto natural cujo consumo ajudaria a produzir evacuações intestinais mais suaves, ajudando a alongar os músculos perianais e a prevenir os espasmos.
  • Retreinamento dos músculos pélvicos. Se os músculos voluntários estão tendo espasmos, uma pessoa pode treinar seus músculos para relaxarem fazendo exercícios especiais, são os chamados exercícios de Kegel.
  • Banhos de assento com água morna. Ajudam a manter o esfíncter anal relaxado e a reduzir os espasmos e as dores associadas com a proctalgia fugaz.
  • Alimentos ricos em potássio. Acredita-se que a falta de potássio esteja associada com a proctalgia fugaz. As bananas, passas e abacates são alimentos ricos em potássio e em fibras naturais.
  • Técnicas de relaxamento. Os analgésicos, a meditação, os exercícios de respiração profunda e o ioga podem ajudar a aliviar a ansiedade e o estresse.

Medicamentos para a proctalgia fugaz

Os episódios de maior duração podem ser tratados com benzodiazepínicos de curta ação, antiespasmódicos (hiosciamina sublingual), nitroglicerina sublingual ou nitroglicerina tópica (perianal).

Um estudo prospectivo duplo-cego demostrou que um beta-agonista inalado, o salbutamol (medicamento usado para a asma), encurtava a duração de cada episódio em pacientes com alta frequência de crise dolorosa.

Os pacientes com episódios frequentes podem se beneficiar do uso de um protetor dos canais de cálcio, nitratos de ação prolongada ou inclusive da injeção de toxina botulínica no canal anal.

A verdade é que será seu médico quem dará a última palavra no estabelecimento deste diagnóstico e a indicação do tratamento que for mais necessário e apropriado para você.

Este artigo é meramente informativo, no ONsalus.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos médicos nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Convidamos você a recorrer a um médico no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

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Referências
  1. Viejo-Almanzor, A., Ramos-Clemente, M. T., y Soria-de la Cruz, M. J. (2018). Dor anal funcional. RAPD Online, 41(1), 31-37.
  2. Márquez-García, J. J., y Márquez-Suárez, I. (2005). Proctalgia fugaz. Revisão da literatura. Rev Mex Coloproct, 11(3), 127-130.
Bibliografia
  • Lacy, B. E. (s.f.). What is proctalgia fugax and how is it managed? Acessado a 23 de fevereiro de 2019, de healio.com: https://www.healio.com/gastroenterology/curbside-consultation/%7Bbbb8179d-8c12-4b63-b23c-6fd23806b5b1%7D/what-is-proctalgia-fugax
  • Wu, B., y Biggers, A. (2 de mayo de 2017). What's to know about proctalgia fugax? Acessado a 23 de fevereiro de 2019, de Medical News Today: https://www.medicalnewstoday.com/articles/317254.php

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